ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Veja a homilia de Dom Majella durante Romaria à Aparecida - por Pe. Andrey Nicioli


No último sábado, a Arquidiocese de Pouso Alegre realizou a sua grande romaria ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). O Arcebispo, o clero, religiosos(as), seminaristas e mais de 2500 fiéis estiveram aos pés da Mãe Aparecida para agradecer as bênçãos e Graças derramadas nas Paróquias e comunidades pela visita da Imagem Peregrina e também louvar a Deus pelo sinal de esperança dado ao Brasil nestes 300 anos de encontro da pequenina imagem. O Arcebispo Metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., presidiu a Eucaristia, que foi concelebrada pelo bispo emérito de de Pinheiro (MA), e por dezenas de padres do clero arquidiocesano. 

Em sua homilia, Dom Majella ressaltou a necessidade de acolhida e a abertura ao outro como iniciativas de uma Igreja verdadeiramente missionária.

Leia a homilia na íntegra (ou assista à homilia aqui)

"Amados irmãos e irmãs. Queridos peregrinos de Nossa Senhora. Hoje somos todos peregrinos. Aqui estamos na casa da Mãe Aparecida para ouivr a Palavra de Deus que chega até nós. Essa lLturgia que acabamos de ouvir traz para nós, como tema central, o acolhimento e a abertura ao outro. Na primeira leitura, Abraão vem nos ensinar como acolher bem. Acolher bem significa, para Abraão, ofertar o melhor que se tem. É o que ele faz. Mas por que ele teve essa consciência? Porquê Abraão percebeu que acolher as pessoas é acolher a Deus, que nos dá a vida. Após acolher aqueles três estrangeiros, Abraão deu o melhor que tinha para eles e lees prometeram que no ano seguinte voltariam e Sara, esposa de Abraão, lhe daria um filho. Acoher o outro, estar aberto para o outro, é estar aberto para Deus, que dá a vida.

Assim Jesus revela seu jeito de acolhida. O estrangeiro chega perto de Jesus, traz para Jesus sua inqueitação e Jesus acolhe aquele estrangeiro e suas palavras de aflição: "meu servo está doente". Jesus acolhe e dá àquele estrangeiro o seu dom, que é a cura. Não precisou da visita à casa, não precisou da acolhida até aquela casa. Jesus dá o dom, e o dom que Jesus dá renova no coração das pessoas que estão ao Seu lado, e sobretudo daquele estrangeiro, a certeza da fé. A fé que não precisou para aquele estrangeiro um ato magico de estar lá. Ele acreditou nas palavras de Jesus e por isso foi louvado por Jesus. Jesus vai à casa de Pedro, cura a sogra de Pedro, é acolhido na casa daquela enferma. Jesus a cura e logo em seguida aquela mulher vai exercer sua diaconia, vai servir. Ela agradece servindo.

Acolher, abertura ao outro, serviço. Assim nós olhamos para Maria, a Mãe de Jesus, que hoje no salmo cantamos o seu hino: o Magniicat. Maria nos ensina como é seu jeito de ser acolher a Palavra de Deus e estar aberto ao outro, como ela vai revelar o seu jeito de ser estando aberto às necessidades de sua prima Isabel e vai servir sua prima Isabel. Acolher, eis o nosso jeito de ser Igreja: estar aberto ao outro. Eis o nosso jeito de ser cristão: servir ao outro. Eis o sentido de ser cristão.

irmãos e irmãs, aqui estamos na manhã de sábado como peregrinos, em comunhão com a Igreja no Brasil inteiro, mas em comunhão com a nossa Igreja particular de Pouso Alegre, pois estamos para agradecer os 300 anos de bênçãos que Deus concede para nós atraves da pequenina imagem de Nossa Senhora Aparecida, que foi encontrada no rio Paraiba. Aparecida é para nós sinal de esperança. Diante de tanto desânimo, em frente às necessidades que vamos passando, olhando para o nosso Brasil, que vem trazendo para nós nos últimos tempos uma realidade de dor, de desespero, onde a pobreza vem aumentando em nosso país, a corrupção vem corroendo a paz em nosso coração, nós aqui estamos porque somos pessoas de esperança. Aparecida é para nós um sinal de esperança. Deixamos nossas casas, mas aqui trazemos nossas inquietações, nossas preocupações, aqui trazemos nosso agradecimento. Por isso amado irmão e irmã, queremos colocar aos pés da Virgem Mãe Aparecida toda nossa caminhada cristã, porquê aqui em Aparecida nos somos alimentados, nutridos, a converter. Sim, a nossa conversao. Cada vez que passamos por aqui queremos nos converter cada vez mais para uma espiritualidade mais íntima com o Senhor, converter nossa espiritualidade para estarmos mais próximos de Deus, como ouvimos na mensagem do Evangelho de hoje. Aquele centurião que foi ao encontro de Jesus. Precisamos nos converter e ir cada vez mais no nosso dia a dia ao encontro de Jesus.

Aqui queremos, também, alimentar nossa conversão pastoral. Voltamos para nossas casas, para nossas Igrejas particulares, para nossas Paróquias, com essa certeza: somos uma Igreja, assumimos um compromisso de evangelização. Por isso essa conversão pastoral deve ser muito clara ao voltarmos para nossas casas, para nossas paróquias. Anunciar Jesus, porque em Aparecida eu revitalizei a minha fé. Mas aqui também somos chamados a alimentar nossa conversão pastoral. Somos missionários evangelizadores. O papa Francisco vem insistindo conosco que precisamos ser essa Igreja em saida, uma Igreja próxima do outro. Eis nossa conversão misisonária: ser uma Igreja de acolhida, mas junto de nosso irmão. Acolher aquele, aquela que está se distanciando de Jesus e que não ouviu falar de Jesus. Acolher aquele, aquela que está sedento(a) da Palavra de Deus. Somos missionários. Aqui estamos na casa da Mãe Aparecida. Todos nos sentimos acolhidos. Aqui nós nos sentimos compreendidos. Sim. na casa da Mãe, a mãe sempre compreende o filho, não é mesmo? aqui nos sentimos compreendidos. Aqui, na casa da Mãe, estamos porquê queremos ser consolados. Somos acolhidos porque somos consolados.

Amado irmão e irmã, você que reza conosco pelos meios de comunicação. Nesta casa da Mâe, aqui estamos para ser perdoados. Aproveite a oportunidade que você está neste Santuário, busque o sacramento da reconciliação, aqui somos perdodoados. Aqui estamos porque somos reconfortados. Deixamos nossas casas, saimos do nosso conforto para estar aqui, porque aqui buscamos ser reconfortados. Aos pés da Mãe Aparecida. Mas aqui nesta casa somos revitalizados para um compromisso de fé.

Que possamos juntos, olhando para a Mãe Aparecida, como Igreja, agradecer a Senhora Aparecida porque aqui renovamos o compromisso da nossa fé como Igreja, como Igreja viva. Que Nossa Senhora Aparecida acompanhe a todos nós, nos conduzindo a seu filho Jesus, para que possamos retr[ornar para nossas casas com essa certeza: aqui fomos acolhidos. Vamos acolher nossos irmãos como Igreja viva que somos, como Igreja missionária". 

 

 

Fotos: Cláudia Couto (pascom arquidiocesana)

Publicado no dia 04/07/2017