ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Processo Diocesano de beatificação do Monsenhor Alderigi se encerra em dezembro - por Pe. Andrey Nicioli


“Um homem de Deus, perseverante na oração. Um homem da Igreja totalmente dedicado ao progresso espiritual do seu povo. Um homem que se fez pobre para doar-se inteiramente aos pobres. Um presente de Deus que passou por este mundo fazendo o bem”. É assim que muitos fiéis se recordam do Servo de Deus Padre Alderigi Maria Torriani, padre da Arquidiocese de Pouso Alegre - MG, falecido em 1977.

Depois de sua morte, sua fama de santidade continua a se espalhar, atingindo não só o Sul de Minas, mas todo o Brasil. Depois de toda uma coleta de dados e da elaboração de uma extensa pesquisa, a fase diocesana do seu processo de canonização será encerrada no dia 22 de dezembro, com a Celebração da Eucaristia no Santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Rita de Caldas, onde seu corpo está enterrado. O processo agora vai para Roma, onde terá continuidade toda a pesquisa e levantamento de possíveis milagres obtidos pela intercessão desse filho ilustre de Jacutinga.

Biografia

Filho de imigrantes italianos, Alderigi nasceu em Jacutinga, em 1895. Desde pequeno sentiu-se chamado por Deus para a vida sacerdotal. Cultivou a semente da vocação através da oração, da vida comunitária em sua paroquia e da constante participação nos sacramentos. Depois dos estudos no Seminário de Pouso Alegre, foi ordenado sacerdote em 1920. Já no início de seu ministério sacerdotal, exerceu importantes funções. Em Pouso Alegre foi Vigário Cooperador na Catedral Metropolitana  e Diretor do Ginásio Diocesano, atual Colégio São José. Logo depois, foi nomeado Vigário de Brasópolis, onde permaneceu por alguns meses. Por um curto período esteve também à frente da paróquia de Camanducaia, onde lançou sementes de reconciliação e de paz. Mas foi em Santa Rita de Caldas que viveu a maior parte de sua vida e ministério, ficando ali por 50 anos.

Em vida, Padre Alderigi já possuía uma difundida fama de santidade. Muitas são as pessoas que relatam ter recebido graças de Deus após terem pedido sua bênção e seus conselhos. No dia de sua morte, os poucos pertences que Padre Alderigi possuía foram divididos entre o povo que queria conservar uma relíquia do querido pároco. Ainda hoje, as pessoas levam tais relíquias até aqueles que se encontram gravemente enfermos e muitíssimos são os relatos de graças alcançadas através da intercessão de Padre Alderigi.

Devido a esta tão grande fama de santidade, o Arcebispo de Pouso Alegre na época, Dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho – Opraem., decretou a introdução do Processo de Canonização de Padre Alderigi. Este processo se desenvolve em uma fase diocesana e, depois, na Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano, na fase romana. A partir da abertura deste processo de canonização, Padre Alderigi é chamado Servo de Deus. Este título indica que um processo está sendo realizado para que a Igreja reconheça, oficialmente, que ele viveu de modo heroico as virtudes cristãs e seja apresentado como modelo de santidade a todos os católicos.

Para saber mais sobre a vida e também como se encontra seu processo de canonização, conversamos com o padre Rodrigo Carneiro Paiva Mendes, vice-postulador da causa, isto é, como se fosse um advogado de defesa que tem a incumbência de reunir elementos, depoimentos, testemunhos, dados etc, que efetivamente comprovem os méritos de Beato de Monsenhor Alderigi Torriani.

Especificamente, em que etapa desse processo nos encontramos atualmente?

Pe. Rodrigo - Padre Alderigi Torriani morreu em 1977 com fama de Santidade e desde então as pessoas reconhecem que sua vida foi um testemunho de fé, amor e esperança. A Arquidiocese, percebendo o apelo popular, abriu em 1999, com a autorização da Congregação para a Causa dos Santos, seu Processo de Canonização. O processo se encontra ainda na primeira fase, que é chamada de Fase Diocesana, onde uma comissão história tem buscado, através de pesquisas, conhecer a vida do Padre Alderigi e outra comissão tem colhido depoimentos de pessoas que o conheceram, para que se verifique e comprove através de testemunhos sua fama de santidade.

Por que foi confiado ao Senhor a função de postulador na causa de beatificação de Monsenhor Alderigi?

Pe. Rodrigo - Dentro do Processo de Canonização existem funções que precisam ser desempenhadas. A figura do Postulador é aquele que coordena os trabalhos e busca divulgar a vida do Servo de Deus. No caso deste Processo, o Postulador é o Padre Leandro de Carvalho Raimundo, hoje Pároco de Monte Verde. Quando da sua estada em Roma para estudos teológicos, realizou também estudos na Congregação da Causa dos Santos.

O que há de especial na vida de Monsenhor Alderigi? Não houve na história do Brasil muitos sacerdotes semelhantes?

Pe. Rodrigo - A vida do Padre Alderigi foi uma vida muito simples, mas que se destacou pela sua fé e devoção a Nossa Senhora e Santa Rita. Um ser humano desapegado, que se preocupou muito com questões humanas, sociais e educacionais, na promoção da pessoa. Promoveu o ser humano, pois foi um homem de fé e de oração. Sim, no Brasil existem muitos outros Padres que também estão com Processos de Canonização abertos, como é o caso do Padre Donizete (Tambú-SP), Dom Ignácio (Bispo de Guaxupé) e Dom Otton (Bispo da Campanha).

Qual sua recordação mais particular de tal processo? Deparou com alguma surpresa?

Pe. Rodrigo - Trabalhar neste processo tem sido algo edificador, pois como Padre posso conhecer mais a vida de um Sacerdote que trabalhou em nossa região espalhando o cuidado do Cristo Bom Pastor. Algo que me impressiona é o carinho de um povo pelo seu Sacerdote, mesmo tendo falecido há 40 anos, sua memória está muito viva. Algo impressionante também é a confiança das pessoas em sua intercessão. Consequência desta confiança são as inúmeras graças alcançadas por seu intermédio. 

Até o momento, o que já foi recolhido e juntado no processo?

Pe. Rodrigo - Até o momento muitos depoimentos foram ouvidos. Depoimentos de belíssimas experiências de pessoas que o conheceram e atestam que sua vida realmente foi fazer a vontade de Deus na simplicidade, no amor e humildade. Foram também juntados a este processo documentos pessoais, escritos pessoais, escritos sobre ele que foram veiculados pela imprensa e está sendo feita agora uma biografia oficial para que seja um resumo de sua vida nesta região do sul de Minas Gerais.

Para Monsenhor Alderigi ser beatificado, é necessário que a Santa Sé reconheça um milagre obtido pela sua intercessão. Há algum milagre atribuído a ele? Como se encontra este processo?

Pe. Rodrigo – Sim. Para o Padre Alderigi ser declarado Bem Aventurado ou Beato, a Igreja Católica, através da Congregação dos Santos, precisa reconhecer suas virtudes e um possível milagre. Existem algumas graças que são atribuídas a ele, algumas mais simples e outras mais complexas. Esta fase de triagem dos Milagres vai ocorrer agora com o fechamento da Fase Diocesana, que se preocupou com uma dimensão mais histórica. O Milagre que poderá ser utilizado para a Beatificação precisa se tratar de algo extraordinário, realmente algo que a medicina comprove que a mão humana não tenha alcançado. Enfim, os relatos existentes e futuros relatos serão analisados, de acordo com as exigências do Vaticano. 

Qual serão os próximos passos?

Pe. Rodrigo - Com o fechamento da Fase Diocesana, inicia-se a Fase Romana do Processo de Canonização, onde o Postulador passa a ser o Dr. Paolo Vilotta. Este novo Postulador da Fase Romana é um italiano que possui sua equipe de trabalho e que é responsável no Brasil e em outros países por quase cem Processos de Canonização, como por exemplo: Nhá Chica – Baependi, Padre Victor – Três Pontas, Guido Shaffer – Rio de Janeiro, Irmã Dulce – Salvador, entre outros. Nesta Fase Romana será estudado o material produzido pela Diocese: históricos, depoimentos e escritos do Servo de Deus e com este estudo, analisado suas virtudes e também ao longo desta fase um possível milagre. Percebo que um passo importante é a divulgação do Padre Alderigi em Jacutinga, que é sua cidade natal. Semana passada alguns integrantes do Terço dos Homens me procuraram e em breve, em união com os Padres e Lideranças Católicas, queremos iniciar este resgate da pessoa do Padre Alderigi em Jacutinga, visto que os restos mortais de seus pais se encontram sepultados no Cemitério Municipal. 

É possível que se chegue à beatificação do Monsenhor Alderigi? Existem um prazo?

Pe. Rodrigo – Sim. É possível que a Igreja reconheça oficialmente a Santidade do Padre Alderigi, pois sua vida é um verdadeiro testemunho do Evangelho. Em relação a prazo, não posso afirmar nada, pois isso dependerá de muitos fatores. O importante neste momento é rezarmos pelo bom êxito do Processo de Canonização e buscar divulgar muito o Servo de Deus, para que seja conhecido e mais pessoas peçam a ele o auxílio para suas vidas e, quem sabe, desta divulgação saia o futuro milagre que a Igreja precise para o declarar Beato. 

Processo da Mãezinha do Carmelo

Maria Giselda Villela nasceu em Jacutinga em 08 de julho 1909, no bairro Sapucaí, mas viveu sua infância em Maria da Fé. Era a terceira de sete filhos do casal Manoel Villela Pereira (de origem portuguesa) e Maria Augusta Campos Villela. Entrou para o Carmelo em 1930, em Campinas. Mas em 1943, ela é enviada para Pouso Alegre, como uma das responsáveis para o fundação do Carmelo da Sagrada Família. Ali sua vida foi de total dedicação ao povo de Deus. Mesmo enclausurada, intercedia pelas pessoas que corriam ao Carmelo para fazer suas orações. Em vida já possuía fama de santidade. “Mãezinha do Carmelo” faleceu no dia 20 de janeiro de 1988. Com o clamor dos fiéis, também se inaugurou a fase Diocesana, a qual já foi encerrada em outubro de 2015, após oito anos de trabalho e pesquisas. O processo, hoje, se encontra no Vaticano. 

 

Publicado no dia 16/11/2017