ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

Arcebispo Metropolitano divulga mensagem sobre CF-2018 - por Pe. Andrey Nicioli


O Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., já encaminhou para as Paróquias da Arquidiocese sua mensagem sobre a Campanha da Fraternidade 2018, que este ano traz como tema "Fraternidade e superação da violência" e o lema "Vós sois todos irmãos" (Mt 23, 8). A mensagem é para ser lida em todas as comunidades e grupos paroquiais. 

"Olhando a nossa história, vemos que a violência, infelizmente, faz parte da nossa trajetória e está ligada às desigualdades sociais, presentes desde a época da colonização portuguesa. Atualmente, a violência também marca nosso cotidiano, destruindo a vida de nosso povo, como: homicídios, sequestros, estupros, preconceitos, corrupção, ódio de classe, de raça, de gênero, de política, intolerância religiosa, indiferença, desigualdades econômicas, narcotráfico, exploração sexual, tráfico humano, exploração dos trabalhadores, violência no campo, falta de segurança pública e ineficiência do sistema penitenciário e judicial", destaca.

O Arcebispo também traz sua preocupação com a violência dentro do sistema prisional que, antes de recuperar, acaba fortalecendo a índole criminosa.

"Destaco a violência no sistema prisional, que mantém aproximadamente 2500 pessoas na região da nossa Arquidiocese, muitas vezes, em situações desumanas, com seus direitos violados e aguardando julgamentos que lhes afastam de suas famílias, as quais passam por situações humilhantes para visitá-las", reflete.

A promoção da cultura da paz, da reconciliação e da justiça, deve ter semppre a luz da Palavra de Deus como caminho e sustento. Este caminho é uma necessidade humana e social, profundamente evangélico e quaresmal, que nos proporciona uma urgente e oportuna conversão.

"Para que isso aconteça em nossa Arquidiocese precisamos inserir os temas relativos à superação da violência em nossas orações, liturgias, catequese, encontros de formação, círculos bíblicos e pequenos grupos. Além disso, é preciso “sair” ao encontro daqueles que sofrem com a violência nas famílias, bairros, periferias, escolas, hospitais, presídios e asilos para conhecer sua realidade de conflito e apoiá-los. É hora também de dialogar mais com outros cristãos e religiões não-cristãs para ajudarmos a construir uma cultura de justiça e paz", diz. 

Leia a mensagem do Arcebispo na íntegra:

"Irmãos e irmãs em Cristo,

A paz do Senhor!

Iniciamos hoje mais um caminho quaresmal que nos levará a celebrar a Páscoa de Jesus, nosso Irmão, e nos ajudará a viver em nossa vida pessoal, em nossas comunidades e na sociedade a Vida Plena para Todos (Jo 10,10). Neste período, em sintonia com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), começamos também a vivência da Campanha da Fraternidade que, neste ano, tem como tema “Fraternidade e superação da violência” e lema “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). Por isso, conclamo os fiéis das nossas comunidades cristãs e todos que estão preocupados com a violência e buscam soluções para este problema a nos unirmos neste tempo quaresmal e trabalhar em favor da superação da violência.

A violência em nosso país é múltipla e nos faz sofrer! Olhando a nossa história, vemos que a violência, infelizmente, faz parte da nossa trajetória e está ligada às desigualdades sociais, presentes desde a época da colonização portuguesa. Atualmente, a violência também marca nosso cotidiano, destruindo a vida de nosso povo, como: homicídios, sequestros, estupros, preconceitos, corrupção, ódio de classe, de raça, de gênero, de política, intolerância religiosa, indiferença, desigualdades econômicas, narcotráfico, exploração sexual, tráfico humano, exploração dos trabalhadores, violência no campo, falta de segurança pública e ineficiência do sistema penitenciário e judicial. Entre estas situações, destaco a violência no sistema prisional, que mantém aproximadamente 2500 pessoas na região da nossa Arquidiocese, muitas vezes, em situações desumanas, com seus direitos violados e aguardando julgamentos que lhes afastam de suas famílias, as quais passam por situações humilhantes para visitá-las; a discriminação e a indiferença com as pessoas em situação de rua, abandonadas em sua dependência e sem assistência social; a exploração de migrantes, que deixam sua terra natal e familiares para trabalharem no campo e em cidades de nossa Arquidiocese; a violência doméstica que tem levado a agressões contra a mulher, homem, crianças e adolescentes, sendo, muitas vezes, vítimas de abuso sexual; e aqueles que deveriam garantir a nossa segurança, lamentavelmente, muitas vezes, nos provocam medo e dor. Mesmo diante desta triste realidade, não podemos desanimar! É hora de desconstruir a violência que há entre nós e, como irmãos, reconstruir a paz, formando uma rede de cuidados para do bem de todos.

Queremos “construir fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência” (Objetivo Geral - CF 2018). Este caminho é uma necessidade humana e social, profundamente evangélico e quaresmal, que nos proporciona uma urgente e oportuna conversão.

Para que isso aconteça em nossa Arquidiocese precisamos inserir os temas relativos à superação da violência em nossas orações, liturgias, catequese, encontros de formação, círculos bíblicos e pequenos grupos. Além disso, é preciso “sair” ao encontro daqueles que sofrem com a violência nas famílias, bairros, periferias, escolas, hospitais, presídios e asilos para conhecer sua realidade de conflito e apoiá-los. É hora também de dialogar mais com outros cristãos e religiões não-cristãs para ajudarmos a construir uma cultura de justiça e paz. É importante que membros da Igreja estejam presentes e sejam atuantes nas iniciativas dos conselhos públicos sobre segurança e de organizações não governamentais para contribuirmos como verdadeiros cristãos leigos e leigas em vista do bem comum. Nesta caminhada de fraternidade, contamos com a ajuda de nossas famílias e comunidades, além dos demais cristãos e pessoas de boa vontade, principalmente as autoridades civis e militares, as pessoas ligadas aos conselhos de segurança pública, os agentes do poder judiciário e do setor penitenciário. Somos todos irmãos e, juntos, podemos começar a superar a violência.

Todo este caminho não será concluído durante esta Quaresma, mas nesta campanha teremos a oportunidade de iniciar ou intensificar a travessia para uma sociedade mais justa e fraterna, como nos ensinou Jesus. Que tenhamos êxito e possamos colher, em breve, mais frutos de perdão, amor e paz, plantados por irmãos que desejam superar a violência. 

Que Maria, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, e São Sebastião, nosso padroeiro, nos acompanhem neste caminho e Deus nos ajude. A todos minha bênção e votos de uma feliz Páscoa!"



Fraternalmente,

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.

Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre

 

Publicado no dia 08/02/2018