ARQUIDIOCESE
de Pouso Alegre

CAL publica orientações normativas a respeito da Sagrada Liturgia - por Pe. Andrey Nicioli


O Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., através da Comissão Arquidiocesana para a Liturgia (CAL), publicou nesta semana algumas orientações normativas a respeito da Sagrada Liturgia e da piedade popular, as quais foram estudadas e refletidas durante as reuniões desse ano. As normativas fazem referência às imagens dos santos e lugares devocionais e também às festas dos padroeiros e celebrações litúrgicas. As normas devem ser seguidas em todas as paróquias. 

Leia o texto na íntegra:

ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE

CAL  -  Comissão Arquidiocesana para  a Liturgia

ORIENTAÇÕES NORMATIVAS A RESPEITO DA SAGRADA LITURGIA E PIEDADE POPULAR

    

Aos sacerdotes, religiosos (as), seminaristas, leigos (as) animadores (as) das celebrações litúrgicas em nossas comunidades, e todo povo de Deus da Arquidiocese de Pouso Alegre!

Tendo refletido em sua reunião ordinária, datada de 23 de junho de 2018, a respeito da relação da piedade popular com a Sagrada Liturgia, e depois de ponderado exame das questões abaixo, a Comissão Arquidiocesana para a Liturgia, aqui representada pelo senhor Arcebispo Metropolitano e pelo coordenador da referida Comissão, publica as seguintes orientações normativas, que devem ser observadas por todos: 

I.    Quanto às imagens dos santos e lugares devocionais:

1.    De acordo com o disposto na Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) 318, as “as imagens do Senhor, da Bem-aventurada Virgem Maria e dos Santos sejam legitimamente apresentadas à veneração dos fiéis nos edifícios sagrados e aí sejam dispostas de modo que conduzam os fiéis aos mistérios da fé que ali se celebram. Por isso, cuide-se para que seu número não aumente desordenadamente e sua disposição se faça na devida ordem, a fim de não desviarem da própria celebração a atenção dos fiéis; normalmente, não haja mais de uma imagem do mesmo santo. De modo geral, procure-se na ornamentação e disposição da igreja, quanto às imagens, favorecer a piedade de toda a comunidade e a beleza e a dignidade das imagens”.  Atentos a esse princípio da centralidade do Mistério Pascal, cuide-se para que o lugar onde as imagens são colocadas não simule um “altar” semelhante à mesa eucarística; que imagens não sejam dispostas no presbitério em concorrência com o altar e a mesa da Palavra; e que “altares” para a coroação de Nossa Senhora não ocupem o presbitério e nem chamem excessivamente a atenção dos fiéis no exagero de seus arranjos. Normalmente, sejam montados fora do presbitério, à vista dos fiéis em uma lateral, com arranjos naturais e  discretos;

2.    Quanto aos espaços devocionais, isto é, os lugares onde estão expostas as imagens para o culto dos fiéis no templo, a CNBB é clara ao orientar: “Os espaços devocionais têm a função de apontar para o mistério maior da nossa fé: a paixão, morte e ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo,  e devem ser tratados com cuidado para potencializar toda a sua dimensão mistagógico-religiosa, no sentido de alimentar a fé, conduzir à piedade e dispor os fiéis à celebração dos sacramentos, sem se sobrepor ou competir com os lugares da celebração dos sacramentos em especial da Eucaristia”. (Est. 106 CNBB, n. 74)

3.    No que se refere ao lugar onde colocar as imagens, atente-se ao que se segue: “As imagens da Mãe de Deus, dos santos e padroeiros(as), podem ser colocados no lugar da assembleia, como modelos que inspiram a caminhada de fé dos que ainda peregrinam, até que cheguem à Jerusalém do céu, onde ‘Cristo será tudo em todos’. Outros locais possíveis para a colocação das imagens são: pequenas capelas e lugares em conexão com a igreja, como o átrio, a sacristia, os corredores, salas de catequese, jardins, grutas etc.” (idem, n. 76). O Guia Litúrgico Pastoral da CNBB apresenta, ainda, como possibilidade: “As imagens podem ser colocadas próximas à entrada, nas laterais do presbitério ou no corpo do espaço, próximas da assembleia. O centro do presbitério, a parte de trás do altar, seja reservada para o Cristo, que pode ser representado como crucificado, ressuscitado, bom pastor, transfigurado etc.”. (GLP, item 9. O lugar dos santos).

4.    Algumas igrejas possuem ícones e seu uso é bastante comum nas igrejas ortodoxas. “O ícone é a representação, por imagens, da mensagem cristã descrita por palavras nos Evangelhos. Por extensão, ícone é a imagem visível de uma realidade invisível” (CNBB, Est. 106, p.68). Não se trata apenas uma figura religiosa (Jesus, Virgem Maria, anjos etc.) desenhada ou pintada para despertar os sentimentos dos observadores; é uma das formas pelas quais Deus é revelado aos fiéis, pois através dos ícones os cristãos recebem uma catequese e são convidados a mergulhar nos mistérios divinos. É uma “janela para a eternidade”. A eles deve-se o mesmo respeito que se tem pelas demais imagens e seu uso litúrgico segue normas próprias.

II.    Quanto às festas dos Padroeiros e celebrações litúrgicas preparatórias:

1.    O dia do padroeiro seja celebrado de preferência no seu próprio dia (cf. Normas Universais do Ano Litúrgico [NUAL], 56). Quando celebrado no domingo, celebrem-se missas próprias do santo em todos os horários da matriz, podendo-se usar paramentos da cor apropriada à comemoração, mas conservando-se a liturgia da Palavra do domingo corrente, para que não se quebre o sábio planejamento catequético querido pela Igreja ao elencar as leituras e evangelhos na ordem como se apresentam nos Lecionários. Os domingos do Advento, Quaresma, Páscoa e demais solenidades não cedem lugar a nenhuma outra festa (cf. NUAL 5). No domingo em que se celebra o padroeiro da paróquia na matriz, nas demais comunidades a missa segue o calendário litúrgico do dia;

2.    Nos outros domingos e dias de preceito que caem na novena (tríduo, trezena etc.), deve-se seguir o calendário litúrgico (leituras, orações, cantos e cor do dia). Missas feriais podem ceder lugar a missas próprias do santo, se necessário, quando não se tratarem de festas ou memórias obrigatórias; 

3.    Os temas das novenas, quando houver, sejam escolhidos a partir dos textos bíblicos e orações eucológicas do calendário litúrgico, e não sejam forjados ou sobrepostos à liturgia do dia. Pode ser apenas um tema geral para  toda a novena; e evite-se direcionar a reflexão da Palavra por documentos da Igreja ou outros textos alheios à liturgia da Palavra do dia;

4.    Entendendo que a procissão de rua com a imagem do padroeiro é um costume e uma expressão de alto apreço devocional, cuide-se para que seja feita com reverência e com espírito orante e celebrativo, não se tornando apenas um momento de conscientização, formação ou informação, mas verdadeira expressão popular de devoção;

5.    Aconselha-se que as orações da novena e incensação da imagem do padoreiro sejam feitas, preferencialmente, antes da celebração eucarística, inclusive breve reflexão do tema da novena,   para que não se quebre a harmonia dos ritos litúrgicos. Não tem sentido rezar o Pai-nosso ao santo, se a Oração do Senhor é elemento litúrgico já rezado no rito da comunhão. Também não se reza Ave-Maria a outro santo que não seja a Mãe de Deus. Atenção especial seja dada ao texto da oração ao padroeiro. Há fórmulas antigas, de linguagem inacessível,  ou extremamente destoantes dos ensinamentos da Igreja sobre a intercessão dos santos, fórmulas estas que podem confundir os fiéis; sejam essas orações simples, focadas na espiritualidade do santo e sem apelos supersticiosos;

6.    O hino de louvor é “cantado ou recitado aos domingos, exceto no tempo do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e ainda em celebrações especiais mais solenes” (IGMR 53). Portanto, não se use indiscriminadamente o canto do “glória”, para que não se enfraqueça seu sentido ritual sempre ligado às ocasiões solenes. Não seria conveniente cantá-lo nas novenas durante a semana, mesmo quando se celebra missa própria do santo. Reserve-se este hino para domingos e o dia da festa.

7.    Para que se evitem as duplicações, quando já houver uma imagem do padroeiro em algum nicho à vista da assembleia, não se coloque outra em “altar” alternativo. No caso do andor que vai à procissão, boa prática seria deixá-lo à entrada da Igreja na chegada da procissão, para que os fiéis, ao entrar, possam tocar a imagem, como é seu costume. Se for a imagem de nossa Senhora a ser coroada, que seja entronizada no momento da coroação, caso haja outra no espaço celebrativo.  



Dado e passado em nossa Cúria Metropolitana, no dia  25 de dezembro de 2018, na Solenidade do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, sob o Nosso Sinal e o Selo de Nossas Armas.



 

Publicado no dia 27/12/2018